Estratégia de mídia
Publicidade médica em Google e Meta: checklist de revisão antes de anunciar
Publicidade médica em Google e Meta: checklist por canal com regras do CFM, políticas das plataformas, data e responsável técnico. Revise antes de anunciar.
O essencial deste guia
Atualizado em
- Resolução CFM 2.336/2023
- Norma do Conselho Federal de Medicina sobre publicidade e propaganda médicas, em vigor desde 11 de março de 2024.
- Identificação obrigatória
- Nome, CRM e a palavra médico; especialistas incluem especialidade e RQE; estabelecimentos, registro no CRM e diretor técnico-médico.
- Saúde no Google Ads
- Categoria de interesse sensível: anúncios enquadrados nela não podem usar listas de clientes, remarketing e outros públicos do anunciante.
- Atributos pessoais na Meta
- Anúncios não podem afirmar ou insinuar condição de saúde de quem vê a peça.
- Ficha de revisão
- Registro com peça, versão, canal, data, responsável técnico e decisão, guardado a cada aprovação.
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Resposta rápida
Antes de anunciar, cada peça de publicidade médica passa por duas revisões independentes: a da Resolução CFM 2.336/2023, feita pelo médico ou diretor técnico-médico, e a das políticas do Google e da Meta. Uma não substitui a outra. Registre a data, a versão e o responsável de cada aprovação, e revise de novo a cada mudança de texto, imagem ou página.
Anunciar uma clínica no Google ou no Instagram envolve duas camadas de regras que não se confundem. A primeira é a ética profissional: a publicidade médica segue a Resolução CFM 2.336/2023, e quem responde pelo conteúdo é o médico ou o diretor técnico-médico. A segunda são as políticas de cada plataforma, que podem reprovar, limitar ou restringir a segmentação de anúncios de saúde por motivos próprios.
Este checklist organiza as duas revisões por canal, com um campo para data e responsável. Ele não substitui a leitura da norma nem a avaliação do profissional responsável. Serve para que nenhuma peça vá ao ar sem as duas etapas registradas.
O que diz a Resolução CFM 2.336/2023?
A resolução substituiu a norma anterior e está em vigor desde 11 de março de 2024, segundo o portal de publicidade médica do CFM, que também reúne o manual, a resolução comentada e exemplos de aplicação. O comparativo oficial resume o que mudou. Os pontos que mais afetam anúncios pagos:
- Identificação. Peças devem trazer nome, número de inscrição no CRM e a palavra médico; especialistas incluem a especialidade e o RQE. Peças de clínicas e hospitais trazem o nome do estabelecimento com registro no CRM e o nome do diretor técnico-médico com o CRM.
- Perfis nas redes. CRM e RQE, quando houver, devem constar na página principal do perfil onde ocorre a publicidade.
- O que passou a ser permitido. Informar valor de consultas e formas de pagamento, horários e forma de marcação, orientar sobre atendimento por plano de saúde e anunciar descontos em campanhas promocionais, sem vendas casadas ou premiações.
- O que continua vedado. Garantir, prometer ou insinuar bons resultados; sensacionalismo e autopromoção; atribuir capacidade privilegiada a aparelhos ou técnicas; divulgar método não reconhecido pelo CFM; expor imagens de consultas e procedimentos em andamento, salvo finalidade educativa.
- Médico sem RQE que tenha pós-graduação pode informá-la, acompanhada do termo NÃO ESPECIALISTA.
O texto integral está no sistema de normas do CFM. Em caso de dúvida sobre um ponto específico, a orientação é consultar o conselho regional ou o canal indicado no portal.
Por que a permissão do conselho não garante aprovação na plataforma?
Google e Meta não aplicam a norma do CFM. Elas revisam anúncios e páginas segundo políticas próprias, que valem para anunciantes de saúde em vários países. O resultado é que as duas revisões podem divergir nos dois sentidos.
Um exemplo concreto: a política de saúde e bem-estar da Meta admite, com público a partir de 18 anos, anúncios de procedimentos estéticos que mostram transformações de antes e depois. A resolução do CFM, por sua vez, só admite antes e depois com finalidade educativa e critérios como texto sobre indicações e complicações e paciente não reconhecível. Uma peça aprovada pela Meta pode, portanto, estar em desacordo com a norma. O caminho inverso também acontece: uma peça adequada à resolução pode ter a veiculação limitada por política da plataforma.
Por isso, a ficha de revisão tem duas assinaturas: a do responsável técnico, para a norma, e a do gestor, para as políticas.
Quais políticas do Google Ads se aplicam à saúde?
Dois conjuntos de regras merecem atenção antes de publicar.
Saúde e medicamentos. A política de saúde e medicamentos restringe ou proíbe alguns conteúdos, como termos de medicamentos controlados, tratamentos especulativos ou experimentais e determinados serviços que exigem certificação do Google. Anúncios afetados podem aparecer como “Qualificado (limitado)” e ter veiculação restrita a locais permitidos. A política também espera que anúncios e destinos sigam a legislação e os padrões do setor.
Publicidade personalizada. Pela segmentação restrita na publicidade personalizada, saúde é uma categoria de interesse sensível. A página específica sobre saúde inclui condições físicas e mentais, tratamentos de condições crônicas e procedimentos médicos invasivos. Quando o anúncio ou a página se enquadra nessa categoria, não é possível usar públicos selecionados pelo anunciante, como listas de clientes, segmentos dos seus dados (remarketing) e segmentos semelhantes. Públicos predefinidos do Google continuam permitidos.
Quais políticas da Meta se aplicam à saúde?
Na Meta, três políticas aparecem com frequência em anúncios de clínicas:
- Atributos pessoais. A política de violações de privacidade e atributos pessoais proíbe anúncios que afirmem ou insinuem condição médica, saúde física ou mental de quem vê a peça, inclusive em forma de pergunta. “Recebeu um diagnóstico de…?” é o tipo de abertura que reprova.
- Saúde e bem-estar. A política veda, entre outros pontos, alegações de cura de doenças de uma lista específica, declarações negativas sobre a aparência física em anúncios de procedimentos cosméticos ou de peso e promessas de resultado em prazo definido sem ressalvas. Alguns procedimentos só podem ser anunciados para maiores de 18 anos.
- Informações proibidas nas ferramentas para empresas. A Meta não permite enviar dados de saúde pelo Pixel, pela API de Conversões, por parâmetros de URL, nomes de eventos ou públicos personalizados. Isso afeta a forma de medir conversões em sites de clínicas.
Dados referentes à saúde também são dados pessoais sensíveis pela Lei Geral de Proteção de Dados. Nenhuma peça, formulário ou evento deve depender deles.
Checklist de revisão por canal
Use uma ficha por peça ou por conjunto de peças da mesma campanha. O cabeçalho registra quem revisou e quando; os itens marcam o que foi conferido em cada canal.
Cabeçalho da ficha
| Campo | Preenchimento |
|---|---|
| Peça e versão | Nome do anúncio, número da versão |
| Canal | Google Ads, Meta Ads ou ambos |
| Página de destino | Endereço revisado |
| Responsável técnico | Nome e CRM do médico ou diretor técnico-médico |
| Data da revisão técnica | Dia em que a peça foi aprovada pelo responsável |
| Revisão de políticas | Nome de quem conferiu as políticas e data |
| Decisão | Aprovada, aprovada com ajustes ou não aprovada |
Itens da norma do CFM (responsável técnico)
| Item | Google Ads | Meta Ads | Página |
|---|---|---|---|
| Nome, CRM e palavra médico; especialidade e RQE quando houver | Na peça e na página; formato definido com o responsável técnico | No perfil; na peça se for compartilhada fora dele | Visível |
| Estabelecimento: registro no CRM e diretor técnico-médico com CRM | Na página | No perfil e na página | Visível |
| Nenhuma garantia, promessa ou insinuação de bons resultados | ☐ | ☐ | ☐ |
| Sem sensacionalismo, autopromoção ou superioridade | ☐ | ☐ | ☐ |
| Aparelhos e técnicas sem capacidade privilegiada; aprovados pela Anvisa e reconhecidos pelo CFM | ☐ | ☐ | ☐ |
| Sem imagem de paciente, consulta ou procedimento em andamento | ☐ | ☐ | ☐ |
| Sem antes e depois nas peças pagas | ☐ | ☐ | ☐ |
| Valor, desconto e pagamento sem venda casada ou premiação | ☐ | ☐ | ☐ |
| Pós-graduação sem RQE acompanhada de NÃO ESPECIALISTA | ☐ | ☐ | ☐ |
Itens das políticas (gestor de tráfego)
| Item | Google Ads | Meta Ads |
|---|---|---|
| Texto não pergunta nem afirma condição de saúde de quem vê | ☐ | ☐ |
| Sem alegação de cura nem prazo de resultado | ☐ | ☐ |
| Termos de medicamentos e tratamentos restritos verificados | ☐ | ☐ |
| Sem listas de clientes ou remarketing quando a campanha é de saúde | ☐ | Avaliar com a política vigente |
| Eventos, links e nomes de campanha sem dado de saúde | ☐ | ☐ |
| Faixa etária e restrições do produto conferidas | ☐ | ☐ |
| Página de destino com o mesmo conteúdo do anúncio | ☐ | ☐ |
Quando refazer a revisão
- Mudou texto, imagem, vídeo ou página: nova versão, nova revisão.
- A plataforma reprovou ou limitou a peça: registre o motivo e revise antes de contestar.
- A norma ou a política foi atualizada: revise as peças ativas.
- Mudou o responsável técnico da clínica: atualize a identificação nas peças e na página.
Exemplo ilustrativo: uma clínica prepara um anúncio de Pesquisa para uma especialidade e um vídeo curto para o Instagram. O cenário é hipotético. O diretor técnico-médico revisa as duas peças e a página, registra a data e aprova com um ajuste: troca “resultados garantidos” por uma descrição do atendimento. Em seguida, o gestor confere as políticas, remove uma lista de remarketing configurada para a campanha de vídeo e altera o nome de um evento que mencionava um procedimento. A ficha guarda as duas etapas, com versão e data. Nada nesse fluxo garante a aprovação das plataformas; ele reduz os motivos mais comuns de problema.
Como essa revisão se encaixa na rotina de anúncios?
A revisão é parte do planejamento, não uma etapa no fim. Ela define o que pode ser dito, e isso afeta a escolha do canal e o formato da peça. A comparação entre Google Ads e Meta Ads ajuda a decidir por onde começar; com a ficha pronta, a campanha sai com menos idas e vindas.
Depois da veiculação, a revisão continua no acompanhamento. Mensagens que repetem uma expectativa que a clínica não oferece podem indicar um texto mal interpretado. O checklist sobre anúncios que geram contatos, mas não agendamentos mostra como registrar esses sinais sem dados de pacientes. Já o cálculo de quanto investir para conquistar um paciente define o orçamento que as peças aprovadas vão usar. Se a clínica atende particular e convênio, vale ler também como alinhar anúncio e atendimento por modalidade.
Próximo passo
Monte a ficha de revisão para as peças que já estão no ar e confira se cada uma tem as duas aprovações registradas. Peças sem data ou sem responsável técnico são as primeiras a revisar.
Nossa equipe faz a gestão de Google Ads e Meta Ads para clínicas com um fluxo em que o responsável técnico aprova cada peça antes da veiculação e as políticas das plataformas são conferidas em paralelo. Conheça a gestão de tráfego para clínicas médicas e solicite um diagnóstico do segmento.
Perguntas frequentes
Quais são as regras de publicidade médica do CFM?
A referência atual é a Resolução CFM 2.336/2023, em vigor desde março de 2024. Ela exige identificação do médico ou do estabelecimento, veda garantir ou insinuar bons resultados e sensacionalismo, e passou a permitir, entre outros pontos, divulgar valor de consulta e formas de pagamento. O portal publicidademedica.cfm.org.br traz o manual e a resolução comentada.
Médico pode anunciar no Google e no Instagram?
Sim. A resolução considera lícitos os meios de comunicação, desde que as publicações sigam os critérios do CFM e a lei. Cada plataforma tem regras próprias para saúde, e a aprovação no Google ou na Meta é uma etapa separada da revisão ética.
Se o anúncio foi aprovado pela plataforma, ele está de acordo com o CFM?
Não necessariamente. Google e Meta aplicam as próprias políticas e não verificam a norma do conselho. Uma peça pode ser aprovada pela plataforma e estar em desacordo com a resolução, ou estar adequada à resolução e ser limitada pela plataforma.
Precisa colocar CRM em todo anúncio do Instagram?
Segundo as perguntas e respostas do CFM, nas redes sociais basta que os dados obrigatórios estejam no perfil. Se a peça for compartilhada em outros perfis ou em aplicativos de mensagem, os dados precisam constar na publicação. Para anúncios fora das redes sociais, como os da Pesquisa do Google, confirme com o responsável técnico como incluir a identificação na peça e na página de destino.
Clínica pode usar antes e depois em anúncios?
A resolução admite antes e depois apenas com finalidade educativa e critérios específicos, como texto sobre indicações, complicações e evoluções insatisfatórias, sem paciente reconhecível. As plataformas têm regras próprias. Por isso, este checklist deixa esse tipo de imagem fora das peças pagas.
Posso fazer remarketing para pacientes da clínica?
No Google Ads, saúde é categoria de interesse sensível: quando o anúncio ou a página se enquadra nela, públicos selecionados pelo anunciante, como listas de clientes e remarketing, não podem ser usados. Na Meta, dados de saúde não podem ser enviados às ferramentas para empresas. Avalie com o gestor antes de configurar qualquer público.
Quem deve aprovar as peças de publicidade de uma clínica?
O médico responsável pela comunicação ou o diretor técnico-médico do estabelecimento, que responde pelo conteúdo. O gestor de tráfego confere as políticas das plataformas e a consistência entre anúncio e página. Registrar quem aprovou, quando e qual versão evita dúvidas futuras.
Onde tirar dúvidas sobre a resolução do CFM?
O portal de publicidade médica do CFM reúne o manual, a resolução comentada, exemplos de aplicação prática e perguntas e respostas, e indica um canal para dúvidas sobre a aplicação da norma. O conselho regional também orienta os médicos da sua jurisdição.
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