Estratégia de mídia

Quanto uma corretora pode pagar por uma apólice: CAC, comissão e renovação

CAC corretora de seguros: monte o limite de aquisição pela comissão recebida, custo comercial e renovação, com três cenários editáveis. Peça um diagnóstico.

Bloco de registro em grafite com três colunas de moedas, um anel de setas de renovação em lima ao redor da maior e uma barra horizontal de limite.
Atualizado em 7 min de leitura

O essencial deste guia

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Prêmio
Valor pago pelo segurado pela apólice; remunera a seguradora e não é faturamento da corretora.
Comissão recebida
Parte que efetivamente chega à corretora pela intermediação, conforme o acordo com cada seguradora ou operadora.
Custo de servir
Trabalho da corretora depois da emissão, como endossos, apoio em sinistro e atendimento, por apólice e por ano.
Limite de CAC
Valor máximo que a corretora aceita gastar para conquistar uma apólice, calculado a partir da margem esperada.
Retenção
Proporção de apólices que renovam a cada ano, estimada pelo histórico da corretora em cada ramo.

Resposta rápida

Uma corretora pode pagar por apólice até uma parte da margem que a apólice deixa: comissão efetivamente recebida, menos cancelamentos e custo de servir, no período escolhido. O prêmio pago pelo segurado não é receita da corretora. Renovação entra só como premissa, com retenção estimada pelo próprio histórico.

Uma corretora pode pagar por uma apólice até uma parte da margem que essa apólice deixa para ela: a comissão efetivamente recebida, menos cancelamentos e custo de servir, dentro de um período definido. O prêmio pago pelo segurado não entra nessa conta como receita. A renovação pode entrar, mas como premissa, com a taxa de retenção que a corretora observa no próprio histórico.

Este guia monta esse limite passo a passo, com campos editáveis e três cenários hipotéticos. Ele não publica médias de comissão nem promete retorno: cada corretora preenche os campos com os valores dos seus acordos e do seu funil, ramo por ramo.

Por que prêmio de seguro não é receita da corretora?

O segurado paga o prêmio pela apólice. Esse valor remunera a seguradora, que assume o risco. A corretora é a intermediária: o Decreto-Lei 73/1966 define o corretor como o intermediário legalmente autorizado a angariar e promover contratos de seguro (art. 122) e determina que as comissões de corretagem só podem ser pagas a corretor habilitado e devem ser informadas aos segurados quando solicitadas (art. 124). No plano de saúde, a mensalidade é receita da operadora, e a remuneração da corretora segue o acordo com a operadora ou a administradora.

A confusão aparece quando o prêmio entra no cálculo de retorno dos anúncios.

Exemplo hipotético, com valores inventados: uma apólice tem prêmio anual de R$ 2.000. Se a corretora tratar esse valor como receita, pode concluir que vale pagar R$ 500 por apólice e ainda ter “retorno de 4 vezes”. Mas a receita dela é a comissão. Se a comissão líquida recebida for R$ 240, pagar R$ 500 por apólice significa perder dinheiro em cada venda, antes mesmo de contar o custo de atender o cliente.

Por isso, em todas as contas abaixo, a receita é a comissão que chega à corretora, já descontados os tributos que incidem sobre ela no regime da empresa. A definição desse valor líquido é feita com o contador.

O que entra no custo de aquisição?

O CAC é o custo para conquistar uma apólice nova. As definições gerais de CAC, CPL e ROAS estão no guia para entender CAC, CPL e ROAS. Na corretora, a dúvida costuma ser o que separar entre aquisição e operação.

Entra no CAC Fica fora do CAC (reduz a margem da apólice)
Verba de mídia no Google e na Meta Endossos e alterações durante a vigência
Gestão das campanhas Apoio ao segurado em sinistro
Compra de leads, quando houver Atendimento de rotina ao cliente ativo
Ferramentas usadas para captar e cotar Trabalho de renovação a cada ano
Tempo da equipe para atender, cotar e fechar, inclusive cotações perdidas Tributos sobre a comissão (já descontados da receita líquida)
Remuneração variável por venda nova, quando existir

CAC = (mídia + gestão + leads comprados + ferramentas de aquisição + custo comercial) ÷ apólices emitidas da mesma safra de contatos.

Se a corretora combina campanhas e fornecedores de contatos, cada origem tem seu próprio CAC. O guia sobre comprar leads ou gerar demanda própria mostra como comparar os dois modelos com as mesmas etapas.

Como tratar comissão, renovação e cancelamento?

Três premissas mudam o limite mais do que qualquer outra. Todas devem vir do histórico e dos acordos da própria corretora.

Premissa Onde buscar Cuidado
Comissão recebida Acordo com cada seguradora ou operadora e extratos de comissão Confira quando a comissão é creditada: na emissão, no pagamento de cada parcela ou em outro marco
Cancelamento Histórico de apólices canceladas ou com parcelas não pagas no ramo Verifique no acordo o que acontece com a comissão nesses casos
Retenção Proporção de apólices que renovaram nos últimos ciclos, por ramo A comissão de renovação pode ser diferente da primeira; a renovação também tem custo de trabalho
Período Decisão da corretora Quanto maior o período, maior o limite e maior a dependência de premissas futuras

Emissão não é recebimento. A apólice emitida é a etapa final do funil comercial, mas a receita só existe quando a comissão chega. Em apólices com prêmio parcelado, uma parte da comissão pode depender do pagamento das parcelas. O relatório de aquisição precisa mostrar os dois marcos.

Renovação é premissa, não fato. Uma apólice nova não traz a renovação garantida. Se a corretora não tem histórico de retenção no ramo, o cálculo mais seguro considera só o primeiro ano. Quando a primeira safra passar pela renovação, a premissa é substituída pelo dado observado.

O período também é de caixa. O CAC é pago agora; a comissão de renovação chega só depois de doze meses. Um limite calculado em três anos pode estar certo na margem e apertado no fluxo de caixa.

Como comparar cenários e definir um limite inicial?

Os cenários dependem de um funil confiável. Antes de preencher os campos, a corretora precisa registrar proposta e apólice emitida com a origem de cada contato, para saber quantas apólices cada safra gerou.

Campos editáveis

  • Comissão líquida no primeiro ano (R$ por apólice): valor que chega à corretora pela apólice nova.
  • Cancelamento no primeiro ano (%): parte das apólices que não gera a comissão esperada.
  • Custo de servir (R$ por apólice ativa, por ano).
  • Retenção (% ao ano): proporção de apólices que renova.
  • Comissão líquida na renovação (R$ por apólice renovada).
  • Período considerado (anos).
  • Parcela da margem destinada à aquisição (%): o restante cobre a estrutura da corretora e o resultado.

Receita esperada = comissão do 1º ano × (1 − cancelamento) + comissão de renovação × retenção, somada a cada ano adicional do período, com a retenção acumulada.

Margem por apólice = receita esperada − custo de servir × anos ativos esperados.

Limite de CAC = margem por apólice × parcela destinada à aquisição.

Três cenários hipotéticos para um mesmo ramo

Exemplo hipotético, com valores inventados para mostrar a conta. Não são comissões, taxas de retenção ou custos de mercado, nem resultados de clientes.

Campo Cenário 1: só o 1º ano Cenário 2: dois anos Cenário 3: três anos
Comissão líquida no 1º ano R$ 300 R$ 300 R$ 300
Cancelamento no 1º ano 10% 10% 10%
Receita do 1º ano R$ 270 R$ 270 R$ 270
Retenção ao ano não considerada 60% 70%
Comissão líquida na renovação não considerada R$ 270 R$ 270
Receita das renovações R$ 0 270 × 0,6 = R$ 162 270 × 0,7 + 270 × 0,49 = R$ 321,30
Receita esperada R$ 270 R$ 432 R$ 591,30
Custo de servir (R$ 50 por ano ativo) R$ 50 50 × 1,6 = R$ 80 50 × 2,19 = R$ 109,50
Margem por apólice R$ 220 R$ 352 R$ 481,80
Parcela para aquisição 50% 50% 50%
Limite de CAC R$ 110 R$ 176 R$ 240,90

Como ler os cenários

Suponha que o funil da corretora mostre, nesse ramo, um CAC observado de R$ 150 por apólice, também hipotético. Ele cabe nos cenários 2 e 3 e passa do limite do cenário 1. A decisão depende de quanto a corretora confia na própria taxa de retenção:

  • Sem histórico de renovação, o cenário 1 é o limite inicial. Antes de aumentar a verba, a corretora procura reduzir o CAC: termos, página, qualificação e tempo de resposta.
  • Com histórico consistente, o cenário 2 pode servir de teto, com revisão quando a safra renovar.
  • O cenário 3 pede retenção comprovada em vários ciclos e caixa para esperar o retorno.

Repita a tabela para cada ramo. Seguro auto, empresarial e plano de saúde para empresas têm comissões, ciclos e custos de servir diferentes. Comparar o limite com o CAC observado, ramo a ramo, ajuda a decidir onde colocar a verba, na mesma lógica de campanhas separadas por produto.

O limite é um teto, não uma meta

Um limite de R$ 240,90 não quer dizer que a corretora deva gastar R$ 241 por apólice. Ele indica até onde a aquisição ainda deixa margem, nas premissas usadas. Se o CAC observado está bem abaixo do limite e a equipe tem capacidade, há espaço para testar mais verba nesse ramo, sem garantia de que o custo por apólice se mantenha com o aumento. Se está acima, o caminho é revisar a campanha e o atendimento antes de discutir orçamento.

Próximo passo

Se a corretora quer definir quanto investir por ramo, reúna a receita de comissão por ramo, as taxas de conversão do próprio funil e o histórico de renovação, sem dados pessoais dos segurados. Com esses números, a gestão de anúncios para corretoras da Método Ads compara no diagnóstico o limite de cada ramo com o custo observado e propõe onde testar primeiro.

Perguntas frequentes

Qual é um bom CAC para corretora de seguros?

Não existe um número que sirva para qualquer corretora. O CAC aceitável depende da comissão que a corretora recebe em cada ramo, do custo de atender a apólice e de quantas renovam. Por isso o limite é calculado com premissas próprias, ramo por ramo.

Posso usar o valor do prêmio para calcular o retorno dos anúncios?

Não é recomendável. O prêmio remunera a seguradora; a receita da corretora é a comissão de corretagem. Um retorno calculado sobre o prêmio parece muito maior do que o dinheiro que de fato entra na corretora.

Devo incluir a renovação no cálculo do CAC?

Pode incluir, como premissa e com cautela. Renovação não é garantida, e a comissão de renovação pode ser diferente da primeira. Sem histórico próprio de retenção, comece pelo cenário de um ano e revise quando a primeira safra de apólices passar pela renovação.

O tempo da equipe entra no custo de aquisição?

O tempo gasto para atender, cotar e fechar apólices novas entra, inclusive nas cotações que não viram venda. O trabalho depois da emissão, como endossos e sinistros, fica no custo de servir, que reduz a margem da apólice. Separar os dois evita contar o mesmo custo duas vezes.

Como tratar apólices canceladas no cálculo?

Use a taxa de cancelamento do próprio ramo como premissa e confira no acordo com cada seguradora o que acontece com a comissão quando a apólice é cancelada ou as parcelas não são pagas. Cancelamento reduz a receita esperada e, portanto, o limite de CAC.

Comissão de corretagem precisa ser informada ao cliente?

O Decreto-Lei 73/1966 determina que as comissões de corretagem só podem ser pagas a corretor habilitado e devem ser informadas aos segurados quando solicitadas. Para o cálculo de aquisição, use os valores do seu acordo com cada seguradora, e não médias de mercado.

Com que frequência revisar o limite de CAC?

Sempre que mudar uma premissa relevante, como comissão, cancelamento ou retenção, e pelo menos quando uma safra completa o período considerado. Revisões trimestrais costumam bastar para a verba; a retenção só se confirma depois de doze meses.

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